Discurso de Posse do Grão Mestre do GOB / RS

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Primeiramente quero agradecer a todos, Autoridades, amigas e amigos convidados, meus ilustres Irmãos e familiares, que prestigiam este evento, com a vossa presença, especialmente aos que vieram de outros Orientes, Países, Estados e Cidades.  Quero agradecer também as mensagens recebidas de diversas Autoridades, que não puderam se fazer presentes por diversos motivos. 

Se me permitem, quero saudar aos QQHH de la Logia Ibirapitá, do Oriente de Artigas-Uruguai, minha cidade natal, entre os que destaco a do meu Irmão de sangue, M.’. I.’.  Ricardo Pedron, lembrando que sou um BRASILEIRO que nasceu do outro lado do Rio Quaraí, igual que muitos que figuram como sendo naturais de Cidades da fronteira. Sou Brasileiro por opção e gaúcho de coração!

Agradeço aos Irmãos da minha Loja, Nova Esperança de Caxias do Sul, os que promoveram e apoiaram a nossa candidatura.

Saúdo e agradeço, de forma muito especialmente a minha família, minha esposa Jaqueline e minhas filhas Stephanie, Nathalie e Melanie, porque só graças ao apoio e compreensão delas percorri o caminho até aqui e, juntos, conseguiremos fazer a caminhada que o destino nos deparou para os próximos 4 anos.

Agradeço também a nossos jovens Demolays, que nos fizeram a Guarda de Honra e aos Irmãos que conduzem a Ordem, pelo trabalho que fazem, ajudando a formar o caráter, a fortalecer suas bases éticas e morais, a cultivar a disciplina e o respeitos pelas Instituições, valores que vem se perdendo, em nossos países, de forma assustadora.

Não foi fácil organizar as ideias e decidir o que dizer;  que mensagem passar no momento em que nos toca a grande responsabilidade de assumir a condução dos destinos de uma Instituição milenar, num Estado que se caracteriza, entre outras coisas, por sua história de lutas e glorias, por ser altamente politizado, de elevado nível cultural e social; por se antecipar aos movimentos que posteriormente tem se expandido pelo Brasil todo; por ser extremadamente exigente ao ponto de ser banco de testes para muitas inovações e, também, ponto final de muitas iniciativas sem a suficiente consistência, como para passar por uma prova tão dura.

Estado este que tem bases muito sólidas, sustentadas pelos sacrifícios e pujança dos imigrantes italianos, alemães, portugueses, espanhóis e de outras nacionalidades, que constituem o povo “gaúcho” e que lhe dão essa diversidade de costumes e essa qualidade cosmopolita. 

Teria muitos assuntos para comentar neste momento, mas quero me concentrar em alguns ou em um em particular, que acredito deverão nortear a pauta dos que conduziremos os destinos do GOB-RS, nos próximos anos. Não podemos esquecer-nos da história da Maçonaria, mas principalmente do que essa história nos mostra e, de certa forma, nos traz a obrigação de tentar contribuir para que os tempos que virão sejam melhores.

Desde 1822, quando foi fundada a primeira organização Maçônica em nosso território, o Grande Oriente Brasílico ou Brasiliano, posteriormente Grande Oriente do Brasil, valorosos Maçons tiveram relevantes participações nos principais fatos políticos e sociais da história do Brasil, muitos deles arriscando e até dando suas vidas, na luta pelos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

A Maçonaria é uma instituição essencialmente, iniciática, filosófica, filantrópica, progressista e evolucionista. Então, sendo progressista e evolucionista, necessita adaptar-se aos tempos que vivemos. 

Na minha atividade profissional, tive a oportunidade de participar de grupos de discussão e debate sobre a situação altamente desafiadora que nossos países estão enfrentando. Tive oportunidade de escutar a conhecidos líderes políticos, empresariais, militares, do terceiro setor e também a pequenos empreendedores, que conseguiram obter sucesso, contando só com a criatividade e força de vontade.

Por convicção ou por coincidência, quase todos parecem convergir em algumas afirmações: 

  • “No futuro só sobreviverão organizações que estejam se reinventando continuamente”
  • “Nosso grande desafio como líderes e cidadãos é quebrar os círculos viciosos dentro dos quais estamos presos. É preciso direcionar nossa criatividade para tentar fazer o inédito”

Por isso, acredito que nos próximos anos teremos o desafio de liderar um movimento que permita que nossa Ordem se modernize, sem esquecer sua história, suas Leis, seus costumes e seus rituais milenares.

E como eu a vejo, a modernização passa por diversos planos:

  • Passa pela tecnologia, pois o aproveitamento de seus avanços nos permitirá melhorar nos aspectos administrativos e de comunicação; facilitar a gestão das Lojas e dos Centros Administrativos, liberando tempo e esforço que poderão ser dedicados ao crescimento e fortalecimento da nossa Ordem.
  • Passa pela educação e cultura, pois além de ser o aperfeiçoamento intelectual, um dos fins da Maçonaria, devemos ir contra a corrente que criou em nosso país o império do título universitário e cada vez forma mais analfabetos funcionais. Devemos ser contrários a prática de distorcer a história com livros que a contam como melhor beneficia ao Governo de turno.
  • A modernização passa também pela forma em que nos comunicamos e relacionamos com a sociedade e outras Instituições, como atuamos, individual ou coletivamente, nas diferentes comunidades onde estamos presentes; tudo isso, mantendo a nossa característica de sermos discretos e sem cair na tentação de usar e abusar das facilidades das redes sociais, onde normalmente se acaba mostrando mais do que se deveria.
  • Passa também pelo crescimento com qualidade; pela luta por resgatar os valores éticos e morais, que sempre foram bases de sustentação da nossa Ordem e por não aceitar, de forma alguma, os desvios desses valores fundamentais, onde seja que eles existam, e até cortar na própria carne, se for necessário. Como disse Martin Luther King: “É errôneo servir-se de meios imorais, para alcançar objetivos morais”, ou como dizia um executivo com quem trabalhei: “Não tem negócio bom com cliente ruim!”

Meus amados Irmãos, temos muito a fazer! E em nossa Administração serão bem-vindos todos os “homens livres e de bons costumes”; que estejam dispostos a dedicar tempo e esforço na luta pelo bem comum, valorizando sempre a união e a fraternidade. Porque, parafraseando o nosso Hino Rio-grandense: “para ser livre, não basta ser forte, aguerrido e bravo, pois POVO QUE NÃO TEM VIRTUDE, ACABA POR SER ESCRAVO!